astrologia i - correspondência, co-incidência, possibilidade
Esta oficina propõe um espaço de experimentação coletiva em torno da leitura, da atenção e da produção de possibilidades. Em vez de tratar a prática como um caminho para descobrir significados ocultos, alcançar respostas definitivas ou antecipar acontecimentos, a oficina parte da leitura como uma prática de composição: um modo de prestar atenção ao que aparece, estabelecer correspondências, formular perguntas e acompanhar aquilo que pode emergir de um encontro.
Ao longo da oficina, participantes são convidadas a trabalhar com imagens, palavras, sensações, associações e situações concretas, explorando diferentes maneiras de descrever aquilo que percebem antes de atribuir-lhe um significado. A atenção se desloca, assim, da interpretação como explicação para a leitura como prática especulativa. O que uma imagem permite considerar? Que correspondências ela torna perceptíveis? Que outras perguntas surgem quando não buscamos imediatamente uma conclusão?
A oficina introduz a hipótese modal como uma ferramenta para esse trabalho. Uma hipótese modal não afirma o que algo é, nem determina o que necessariamente acontecerá. Ela formula uma proposição sobre aquilo que pode tornar-se relevante, possível ou atualizável em determinada composição. Desse modo, a leitura permanece aberta sem se tornar arbitrária: as possibilidades são formuladas a partir dos elementos, correspondências e relações que aparecem na situação.
Por meio de exercícios individuais e coletivos, a oficina experimenta uma prática de leitura na qual descrição, imaginação, correspondência e composição participam da produção de conhecimento. Ler torna-se, então, menos um gesto de decifração do que uma maneira de permanecer com aquilo que ainda não está decidido — acompanhando possibilidades, produzindo perguntas e reconhecendo que a própria leitura passa a fazer parte da composição que procura compreender.

